Sofrimento e reinvenção
- VILLY FOMIN

- 5 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Acredito que a qualidade da vida está atrelada a disposição em se questionar e responder questões incômodas. Falamos em mudanças, viver coisas novas, mas será que há de fato disposição em se mexer para viver essas coisas novas? Nessa época começam os planos para o que chamamos de “ano novo”, por isso sugiro algumas questões: Vale a pena viver o próximo ano com as mesmas ideias que trouxeram você até aqui? O sentido da vida pode estar escondido em algumas respostas que encontram resistência em nós e por não responder vamos nos submetendo a processos tediosos e a monotonia vai ganhando espaço.
Freud afirmou: “Olhe para dentro, para as suas profundezas, aprenda primeiro a se conhecer”. O processo do autoconhecimento é apresentando como uma estrada plana e leve, eu entendo como um processo dolorido e tenso mas que nos leva para outro nível existencial. E porque tanta resistência com esse processo? Penso que seja por vivermos na tirania da felicidade, não podemos falar de derrotas, não podemos falar dos sentimentos que nos rasgam por dentro. Derrotas serão condenadas, derrotados serão excluídos. Freud também afirmou: “Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro”.
Os humanos reprimem sua própria humanidade em nome dos benefícios sociais que os sorrisos plásticos geram. Sugiro que você rompa com essa lógica, saia dessa mesa, procure espaços onde os sentimentos são elaborados e não reprimidos. Reparta sua vida com gente real que prefere o choro sincero do que o riso virtual. Não tenha vergonha do seu sofrimento, não se limite por conta das suas lutas, antes, coloque-as como memoriais da sua resistência e resiliência. Não caia nessa de engolir o choro, encontre um colo e se entregue, caso não tenho o colo de alguém, chore com você mesmo, banhar-se nessas lágrimas pode ser o recomeço.
O ano está acabando e você não precisa acabar com ele, assim como você não precisa esperar a virada para iniciar novos processos. A vida é agora. Todo dia é dia de sonhar e toda hora é hora de colocar a mão na massa e começar a criar.
Bem disse o Saramago: “Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne e sangra todo dia”.
VILLY FOMIN
Psicanalista e escritor






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