Cercas emocionais
- VILLY FOMIN

- 14 de abr. de 2022
- 2 min de leitura
Com Vitor Frankl aprendi que podemos viver sob o comando de ditadores também no mundo emocional. No livro “Em busca de sentido” ele nos apresenta os horrores vividos nos campos de concentração durante o regime nazista na Alemanha. Ficou preso, perdeu o direito de decidir sobre sua vida, foi humilhado, obrigado a viver sob circunstâncias desumanas, sem poder decidir, desejar, sonhar... No campo foi morrendo dia a dia.
Existe a grande possibilidade de ficarmos isolados dentro de um campo de concentração interno, dominados por sentimentos nocivos, nos tornando prisioneiros de nós mesmos. Há pessoas presas em sentimentos tão horríveis, tão dominadores que as fazem perder a expectativa da novidade, sentimentos que humilham, oprimem e fazem a vida perder o brilho.
Amargura, egoísmo, inveja entre outros, quando absorvidos criam cercas relacionais e o viver perde a oportunidade de ser uma experiência significativa. A pessoa deixa de escolher e suas decisões passam a ser definidas por esses adoeceres sentimentos. Cuidado, pois existe a possibilidade das suas falas e atitudes serem gerenciadas por sentimentos que só podem produzir destruição.
Ninguém precisa viver preso nesses campos de concentração. Não deixe as cercas criarem raizes, se fortalecerem ao ponto de não ser possível retirá-las. Mexa-se, lute contra isso, não se submeta a prisões se você sente que pode voar!
É preciso um olhar sincero no espelho para entender e assumir a responsabilidade por determinadas cercas. A brilhante psicanalista Maria Rita Khel nos ensina: “O ressentimento não é uma mágoa que não passa, mas uma mágoa que a pessoa alimenta”. Um alerta fundamental! Existem sentimentos que ganham espaço porque são alimentados, crescem porque receberem permissão para o desenvolvimento.
Separe um tempo pra você, aprenda e se conhecer e assim identificar o que está controlando suas decisões, perceber as cercas emocionais que se formaram impedindo de seguir em frente.
Jung faz um convite desafiador diante das histórias que vivemos: “Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que eu escolhi me tornar”.
Torne-se livre.
© VILLY FOMIN I Psicanalista Clínico






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